sábado, 2 de julho de 2016

Minha alegria


   Antes o meu olhar era voltado apenas para baixo, pois de cabeça baixa eu vivia. Não enxergava bem a paleta de cores que o mundo oferecia. Para mim era tudo meio opaco, meio vazio e sem vida. Muitos questionavam o porquê deu andar sempre tão abatida, mas eu não tinha resposta, eu só consentia... consentia que era verdade o meu estado, o meu trapo, a minha fadiga. Eu era triste, eu pouco sorria. Mas o tempo foi passando e passando com ele tamanha agonia.Voltei o meu olhar cabisbaixo pra dentro de mim e me vi como nunca antes tinha me visto. Achei algo interessante e altamente relevante nos entulhos dos meus sentimentos... eu mal pude acreditar, mas estava lá, bem escondidinha. Era a minha vontade, minha fantasia. Não foi fácil restaurá-la, pois ela quase não correspondia. Mas apesar de fraca, desbotada e sem rima, estava lá, implorando para que eu a encontrasse. Sim, nos entulhos dos meus sentimentos, resistia a minha alegria.

Ester Xavier


terça-feira, 21 de junho de 2016

Sua verdade


Não cale, fale!
Leia suas frases, faça suas rimas, conte suas verdades.
Não faz mal, não tem problema, roube a cena.
Grite, irrite, confronte os seus dilemas.
Cante, dance, desenhe...
Cozinhe, lave ou passe...
Faça o que quiser, faça o que puder.
E não cale, fale, faça suas rimas, conte suas verdades.

Ester Xavier


sábado, 21 de maio de 2016

Não tanto quanto eu


  Hoje eu aprontei arte! Mas não daquelas que se apanha, foi daquelas que se aplaude. Quem ouviu gostou, quem não ouviu talvez nunca ouvirá. Eu me aconchego na timidez e facilmente me desfaço do que faço. Mas por quê, se não é crime nenhum tecer algumas melodias ou qualquer outra coisa que se queira apresentar? Preciso dar um jeito nesses meus grilos, porque são realmente meus. Na verdade, ninguém se importa, ninguém repara, não tanto quanto eu. Sendo assim, não espero mais estar pronta, espero apenas ter coragem, porque pronta mesmo eu acho que nunca vou estar. E quem é que está? Ninguém nasceu correndo! Portanto, vou engatinhar... não sei aonde vou chegar, mas vou engatinhando até me encontrar.

Ester Xavier





sábado, 2 de abril de 2016

Um dia incrível



  Hoje fiz algo incrível! Talvez pareça bobo e muito simples para você que está lendo esse post, mas para mim foi realmente demais!
  Já faz um tempo que eu tenho evitado fazer coisas em que eu precise sair de casa, da minha "bolha segura"... mas isso se deve ao medo que de repente me apareceu e que involuntariamente fui cultivando e o deixando me dominar. Numa consulta ao médio, foi levantada a hipótese de um transtorno de ansiedade, mas na verdade, era uma Síndrome do Pânico a caminho. Fui ver um psicólogo, mas depois da primeira sessão eu simplesmente fugi ( queridos leitores, NÃO FAÇAM ISSO!). Mas enfim, esse parágrafo foi só para justificar o meu medo de fazer determinadas coisas, ainda que sejam as mais simples. 
  Bom, sobre ter feito algo incrível... meu esposo queria muito uma bicicleta (no caso, duas, haha!), mas sempre que ele tocava no assunto eu fazia bico e listava mil motivos para que a gente não saísse andando de bike por aí (imagina o perigo, Deus me livre!). Pois bem, depois de muita conversa e de perceber que eu estava boicotando a tranquilidade e segurança dele, concordei em adquiri-las! É claro que elas ficaram alguns dias paradinhas até que eu tomasse coragem para sair ao menos na calçada de casa, e... eu saí! E não foi só na calçada não! Até atravessamos uma avenida (que loucura)! Fomos pedalar dentro de uma universidade pública que fica pertinho de casa. Essa universidade é rodeada por árvores e tem um espaço enorme para caminhar, correr, pedalar, patinar etc. E foi tão, tão, tão bom! Pedalamos por cerca de uma hora e meia... sentimos o vento bater, o corpo acordar, liberamos endorfina (hormônio produzido pelo nosso cérebro e que nos dá a sensação de prazer, alívio, alegria...) e, de bônus, vimos três bichos- preguiça! Olha só que coisa maravilhosa! Com certeza se eu estivesse "segura" em casa não teria vivido nada disso. E foi por esse motivo que decidi compartilhar essa deliciosa experiência com vocês, quem sabe você não se anime e também faça algo incrível...

                                                                                                                                                
                
                                                             
                                      Nós e as magrelas                                
                                         
             
                                                                                      O Look (haha!)

            
                                                                       
                                                                                      A universidade

            
                                                                       
                                                                                     O bicho-preguiça

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Apenas estar



  Estar sob holofotes é uma posição que sinceramente nunca me atraiu, mas eu queria estar em algum lugar... um lugarzinho pra chamar de meu. Esse lugar não é físico, não se pode mensurar e tão pouco qualificar. Eu só queria fechar os meus olhos e sentir novamente... tanto faz se a magia durasse apenas um minuto, pois do contrário seria uma vida inteira sem isso. Portanto, não importa exatamente o lugar, no palco ou na última fila, eu só queria estar lá.

Ester Xavier

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Palavras em vão


  Palavras soltas, jogadas ao vento, palavras tortas e sem direção. Às vezes passo noites em claro à espera delas, mas nada que faça sentido me vem. As frases não se completam, não têm liga e tão pouco emoção. Queria colocar milhares de pensamentos para fora, mas eles estão presos, trancafiados na mente e incomodando o coração. Talvez se eu gritasse ou vomitasse qualquer coisa, ainda que vã... ou quem sabe se eu desenhasse as sensações, mas seriam apenas rabiscos, traços em confusão. Por agora, só o que tenho são palavras soltas, jogadas ao vento, palavras tortas e sem direção...

Ester Xavier


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Relato...


  Já são seis meses de "janelinha"... confesso que por uma ou duas vezes me senti envergonhada, mas isso também acontecia antes mesmo de tudo isso. Apesar de saber que muita gente não vê assim, eu nunca me senti tão linda! Mas na realidade, isso está mais relacionado com minha aceitação, ao meu modo de encarar o espelho todos os dias. Por muitas vezes, refém do padrão de beleza estipulado pela grande maioria, desvalorizei minhas peculiaridades... traços, formas e cores que eu só eu tinha porque só eu sou eu, assim como só você é você! Então, espero que você que leu esse pequeno relato, possa se olhar mais, aceitar-se mais, valorizar-se mais... e que sejamos mais doces com a gente mesmo!

Ester Xavier


sábado, 12 de dezembro de 2015

A gente quer tanto

 
  A gente quer tanto acertar, fazer dar certo... conquistar a independência e poder testemunhar da crença que diz: "Sim, você pode tudo!" A gente está sempre à procura de algo que nos impulsione, algo que nos faça mover o esqueleto e ir viver a vida. E a gente se decepciona tanto, se desanima, chora e também faz chorar. Mas o que a gente realmente quer é sorrir e deixar de lado as tolices, mudar as coisas, mudar nossas vidas.  Às vezes a gente acaba mudando "de galho" como quem muda de roupa, mas talvez a necessária mudança seja apenas no nosso estado de espírito. E é claro, a gente erra! Mas aprende e conserta, porque a gente quer tanto acertar, fazer dar certo...

Ester Xavier



sábado, 5 de setembro de 2015

Inocente coragem


    Há tanta coisa acontecendo ao redor desse mundo que anda tão imundo de maldade e tirania. É impossível não se incomodar e quase inevitável não ceder ao pessimismo. Há tanta gente inocente perdendo a vida, tanto choro, tanta agonia. Pra muita gente, o amanhã não vai chagar. E o que fazer com aqueles que venceram a noite e amanheceram o dia? (...) É tanta roupa suja, tanta louça mal lavada. O que será da gente, minha gente? Como será o novo dia? A previsão para o futuro (se continuarmos assim) não é das melhores... e piores serão os anos se ostentarmos o engano e a covardia! Mas peço aqui, vamos agir com inteligência sobre a vida! Vamos buscar, ainda que no fundo da alma, o que resta de esperança e lutar por dias melhores, assim como aquela criança prostrada na beira da praia lutou. Choramos a sua partida... honramos sua coragem inocente de enfrentar as águas e as fortes ondas da vida.

Ester Xavier